Comemorou-se 488 anos (1521) da chegada de Fernão de Magalhães ás Filipinas, longe vão os dias em que falar no nome Magalhães era sinónimo de glória para o povo Português, hoje já não se lembram grandes feitos deste navegador mas sim do famoso “Magalhães PC”, que teve tanto de glória como está a ter de repentino afundanço.
Esta ideia surgiu do nosso Primeiro Ministro Sócrates (nome também de algum valor histórico ao qual nós associamos de dia para dia ao Cabo das Tormentas, ele só nos guia para becos sem saída) quando num belo dia se levantou e pensou:”Tenho que fazer algo de inédito pelo futuro do nosso país! E o futuro são as crianças.” E pronto inventou o Magalhães. A notícia foi dada e recebida com entusiasmo, Portugal estava mais á frente, os nossos filhos iriam ser protagonistas de uma viragem tecnológica no nosso país.
Tudo a correr de vento em popa, começou o ano lectivo esse famoso “ser” azul era apenas visível nas televisões e nas páginas de jornal. Já andavam a ser distribuídos por onde ninguém sabe, percorreram algumas escolas para serem tiradas fotografias onde acabavam por ser levados logo se seguida…caros leitores não se faz, “gozarem” com a nossa cara que somos adultos também não, mas ás crianças nem fazemos comentários.

O que é certo é que acabou por chegar e neste momento já o vemos como uma dor de cabeça. Meus amigos devíamos estar orgulhosos, os nossos filhos vão para a escola muito cedo (com a crise instalada os pais vão ter que trabalhar mais e qualquer dia as crianças dormem nas escolas) com aquela pasta azul, que se vê bem á distância, com a mala cheia de livros que nem os pais conseguem levar, as escolas não têm verbas para comprar cacifos, muitos sem ter qualquer tipo de alimento no estômago (é uma realidade por mais incrível que pareça); quando os vamos buscar eles vêm novamente carregados, com joelhos esfolados, cheios de sono, mas os nossos filhos no 1ºCiclo do Ensino Básico parecem Doutores.
Os professores já se denominam como técnicos de Informática. É que o portátil para quem ainda não viu para muito boa gente é complicado de configurar, e os pais levam os portáteis á escola para os professores o fazerem, estes saiem da escola para além de levarem os cadernos muitas vezes para passarem trabalhos ainda têm que levar á boleia a “tostadeira”, é a única coisa a que associamos automaticamente.
No dia seguinte regressam ao trabalho coitados (não querendo tomar nenhum partido)levam com o Magalhães, levam com noticias de possível desemprego, levam pancada dos alunos, dos pais e da Ministra da Educação (têm sido umas atrás das outras).
Os professores travam uma batalha diária Magalhães VS Alunos, enquanto o nosso Primeiro Ministro viaja pelo Mundo de Magalhães debaixo do braço, e eleva o nome de Portugal como sendo um dos países que se está realmente a preocupar com o desenvolvimento dos seus alunos tanto a nível pedagógico como tecnológico…e a nível psicológico Sr. Engenheiro ? Como é que estão as nossas crianças ?
Neste momento poderíamos fazer uma colecção como os livros da Anita (com todo o respeito) : “O Magalhães vai á escola”, “O Magalhães vai á praia”, “O Magalhães vai viajar”, “O Magalhães vai ao Shooping”. Lamentamos informar caros leitores mas o Magalhães não serve de cacifo, não tapa os buracos dos recreios, não substitui uma auxiliar, não é uma câmara de videovigilância, etc… Este “sonho azul” tornou-se num pesadelo e que está a encobrir tudo o que realmente deveria ser feito, os nossos filhos precisam de boas condições escolares, de melhores infra-estruturas, de mais atenção e não de andarem iludidos com esta espécie de “saco azul”.
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